Nem tudo é transtorno: o risco dos autodiagnósticos na internet
- Espaço Vivare
- 8 de jun.
- 2 min de leitura
A necessidade de estar em constante estímulo, a dificuldade em lidar com limites, não conseguir esperar, buscar alguma descarga imediata de energia física ou emocional, fugir de tarefas urgentes e deixar tudo para quando o prazo já está acabando ou já passou.
Esses são alguns dos sinais em que o TDAH pode se manifestar. Mas quando falamos em transtorno, existe algo que muitas vezes a internet ignora: diagnóstico exige tempo, investigação e avaliação criteriosa.
Com a busca desenfreada por autodiagnósticos, o TDAH e o TEA passaram a aparecer cada vez mais nos consultórios. As pessoas chegam dizendo que “têm isso” ou “têm aquilo” porque se identificaram com vídeos, relatos ou listas de sintomas.
O problema é que sintomas não pertencem exclusivamente a um único transtorno. Muitas características podem aparecer em diferentes comorbidades, contextos emocionais, fases da vida ou situações de estresse prolongado. E um diagnóstico precipitado pode piorar ainda mais o sofrimento da pessoa.
Existe também uma expectativa imediatista de melhora. Como se sofrimento psicológico funcionasse como uma gripe: identifica, trata e passa. Mas muitos quadros exigem acompanhamento contínuo, manejo e adaptação para melhora da qualidade de vida — semelhante ao que acontece com diabetes ou hipertensão.
E quem vive isso sabe que não é simplesmente “falta de atenção”. É tentar começar tarefas e não conseguir. É saber exatamente o que precisa ser feito e ainda assim travar. É procurar estímulo o tempo inteiro, mesmo estando cansado. É se irritar com espera, rotina, silêncio e limites… e depois sentir culpa por não conseguir funcionar como os outros parecem funcionar.
Por isso, buscar ajuda profissional não é exagero e nem “modinha”. Existe relevância científica no acompanhamento psicológico e psiquiátrico justamente porque o diagnóstico exige análise do histórico, frequência dos sintomas e impacto real na vida da pessoa.
A psicoterapia auxilia no amadurecimento emocional, na construção de estratégias práticas de organização, manejo da impulsividade, regulação emocional e compreensão dos próprios limites. Mais do que “tirar sintomas”, o tratamento ajuda a pessoa a parar de viver apenas apagando incêndios e começar, aos poucos, a construir uma vida com mais consciência, autonomia e qualidade emocional.
Texto por: Henrique Bonatti Santana Psicólogo CRP: 06/230125

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